Análise da primeira rodada do Candangão 2018

Depois de termos passado por dias apreensivos (em razão da incerteza com relação à liberação dos estádios para a realização da primeira rodada do Candangão), felizmente os problemas extracampo foram equacionados a tempo e a bola finalmente pôde rolar com a presença dos torcedores nas arquibancadas.

E o campeonato começou bem: com emoção, polêmica e surpresa! Boas surpresas, eu diria. Gama e Brasiliense, dois dos clubes apontados pela crítica como principais postulantes ao título, tropeçaram na estreia. Curiosamente, as duas equipes jogaram como mandantes e perderam pelo mesmo placar: 2×1.

Paracatu e Sobradinho fizeram o básico diante dos seus torcedores para somar os primeiros três pontos, enquanto Santa Maria e Luziânia protagonizaram um movimentado empate: 2×2.

O jogo entre Ceilândia e Paranoá não aconteceu. Isso porque o Gato preto atuou neste domingo pela partida de ida da fase preliminar da Copa Verde. Jogando fora de casa, o alvinegro candango foi derrotado pelo Corumbaiense-MS por 3×1. As equipes voltam a se enfrentar na próxima quarta-feira (24), no Abadião. Missão complicada para o Ceilândia. Os comandados de Adelson de Almeida precisam reverter o resultado com pelo menos dois gols de diferença.

ANÁLISE DA RODADA

Paracatu 1×0 Samambaia
Tecnicamente, o jogo foi abaixo da crítica. O gol da vitória do Paracatu saiu aos dois minutos de bola rolando, num misto de oportunismo do atacante Paulo Renê e um clássico erro de posicionamento da defesa do Samambaia. Depois disso o que se viu foram duas equipes cometendo muitos erros individuais e coletivos. As duas equipes sofreram do mesmo mal no quesito criatividade. Sem um meia-armador de ambos os lados, a bola pouco chegou com qualidade aos atacantes. Valente, o Samambaia até criou chances claras para empatar. Em uma delas a bola parou no travessão. Na segunda, em um lance de muita polêmica, a bola teria entrado, mas o bandeirinha Mizael Quintino não deu. Ao final, muita reclamação pelo lado do Samambaia. Pelo lado do Paracatu, segundo o técnico Gauchinho, o melhor do jogo foi o resultado, dando a entender que muita coisa precisa ser melhorada em termos de time que sonha brigar pelo título.

Santa Maria 2×2 Luziânia
Acredito que o resultado diz muito sobre o que serão as duas equipes nesta competição. Definitivamente, não são equipes com potencial para brigar pelo título, tampouco com risco iminente de rebaixamento. São equipes de posições intermediárias da tabela. Não assisti ao jogo, mas, pelo que me reportaram, foi um resultado justo.

Sobradinho 2×1 Formosa
Pelo que constatei através da transmissão da rádio 91 FM de Formosa, o jogo foi bem parelho. Porém, o Sobradinho foi mais objetivo nas oportunidades que teve. Abriu dois gols de diferença e viu o Formosa iniciar uma reação no fim. Mas, o Leão da Serra conseguiu fazer o dever de casa e segurar o resultado. Ainda é cedo para fazer qualquer prognóstico sobre o potencial dessas equipes.

Brasiliense 1×2 Real
Esse resultado mandou uma mensagem muito clara para todos nós que temos mania de avaliar as equipes pelo currículo dos jogadores, pelo poderio financeiro e por outras questões extracampo. O Real nos alertou que tudo isso aí conta, mas contam também outros fatores extremamente importantes como força de vontade, inteligência e o embate direto na hora do onze contra onze. O fato é que a maioria imaginava que o Brasiliense, time de maior investimento e recheado de nomes importantes, vencesse sem levar sustos. Todavia, quem levou a melhor foi o Real, que abriu o placar, sofreu o empate e marcou o gol da vitória no último lance do jogo para derrubar o favorito em seus domínios e somar os primeiros pontos. Ao Brasiliense, além de digerir o desagradável sabor de uma inesperada derrota, ficou clara a deficiência do sistema defensivo montado pelo técnico Rafael Toledo. O problema é grande e o tempo para solucioná-lo é pequeno. Derrota à parte, em tese, o Brasiliense segue como um dos favoritos ao título.

Gama 1×2 Bolamense
Sem dúvida nenhuma, o resultado mais surpreendente foi o do Bezerrão. Nem o mais pessimista dos torcedores gamenses poderia imaginar um resultado tão desastroso como o de ontem. Pior ainda que o resultado foi a atuação do time.

Sem tirar nenhum mérito dos bravos jogadores do Bolamense, o Gama tinha a obrigação de vencer aquele jogo. Mas o time que joga de forma tão bagunçada, sem criatividade, sem jogadas alternativas e com um goleiro absolutamente inseguro não pode mesmo ganhar de ninguém. Falando em goleiro, que coisa horrorosa o que vem fazendo o Vitor Brasil! Esse rapaz já demonstrou ter qualidade, mas atualmente ele não tem condição de ficar nem no banco de reservas. A impressão que ele passa é que se chutarem dez bolas, metade delas vai entrar. Olha, sinceramente, ele foi contra o Fortaleza e o Bolamense um péssimo caçador de borboletas. Sem condição.

Calma! Tem gente pior que o Vitor Brasil no Gama. O treinador simplesmente é ruim de dar dó. Ficou muito claro para mim que o Gama está mal treinado. A equipe não funciona. Parece um bando correndo atrás da bola. Não tem jogadas de linha de fundo, os laterais parecem dois cones que não conseguem fazer um cruzamento. No meio de campo, Robston parece carregar um saco de cimento nas costas. Apesar de esforçado, ele está visivelmente fora de forma. Se arrastando em campo. O ataque também não está a altura do Gama. Quanto ao Lúcio, achei estranho ele acusar uma lesão muscular e depois sair correndo até a lateral para ser substituído. Apenas uma constatação.

No geral, o time do Gama não é ruim. Muito pelo contrário, tem qualidade. Mas precisa de um treinador que saiba o que fazer com ele. Definitivamente, não é o caso do atual comandante.

É aguardar a próxima rodada. Por enquanto, só dá para falar das primeiras impressões. Foram essas as minhas.

Share Button