Deu Brasiliense

Tarde de sábado, 6 de maio. No palco maior do futebol do DF, o Mané Garrincha, o capítulo final do Candangão 2017.

Venceu o time que soube aproveitar, com eficácia, as oportunidades que teve. Um time que se apoiou na qualidade de um quarteto experiente, formado por Aldo, Souza, Reinaldo e Nunes. Jogadores que transmitiram tranquilidade aos demais mesmo quando sofreu o primeiro gol. Não dá para questionar os méritos do campeão.

Da mesma forma, não há espaço para questionar a belíssima campanha do Ceilândia. Aliás, fosse o Gato o campeão, os argumentos seriam basicamente os mesmos. Não precisa ser bom entendedor de futebol para reconhecer que chegaram à final as duas equipes que mais fizeram por merecer tal condição. Com números tão parecidos, o título só seria decidido nos mínimos detalhes. E foi exatamente assim que aconteceu.

Mas, por que o Brasiliense foi campeão? Se analisarmos com calma as duas partidas da decisão, o Brasiliense foi mais efetivo na ida e na volta. No primeiro confronto, o Jacaré saiu perdendo, mas teve força e tranquilidade para virar o placar. Teve até chance de ampliar o resultado quando vencia por 2×1. O Ceilândia “achou” o empate num lance absolutamente isolado, porém bem aproveitado pelo zagueiro Badhuga. Também é verdade que o Alvinegro pagou caro pelas diversas chances claras de gol desperdiçadas nos primeiros minutos daquele movimentado 2×2. Todavia, num contexto geral, a equipe que esteve mais perto da vitória foi o Jacaré.

Veio o segundo jogo e o filme foi muito parecido. Só que dessa vez as duas equipes demonstravam pouca vontade de vencer. O primeiro gol do atacante Romarinho aconteceu a partir de um lance que misturou sorte – a bola foi desviada e enganou o goleiro – e competência do jogador. Até então o jogo era sem graça. Sem aquela emoção que pede uma decisão de campeonato. As equipes pareciam muito mais preocupadas em não perder do que decididas a ganhar. Se respeitavam demais.

Mas, o panorama mudou no segundo tempo. Os finalistas resolveram sair para o jogo. Em algumas vezes até de forma muito afoita, deixando desguarnecidos os sistemas defensivos. O Gato imprimia volume, mas errava no último passe. Por sua vez, o Brasiliense ganhava tereno até chegar ao empate em uma jogada pela direita que acabou concluída pelo oportunista Reinaldo, 1×1.

O Ceilândia continuou na mesma pegada. Errava lá na frente e cometia descuidos na defensiva, principalmente, pelo lado esquerdo. E foi novamente por lá que nasceu o gol da virada amarela. A bola foi cruzada na área, Nunes antecipou-se ao marcador e empurrou a pelota para o fundo do barbante. O resultado adverso obrigou o time Alvinegro a se expor um pouco mais. Aí eram dois cenários: ou o Gato buscava o empate ou o Jacaré marcava o terceiro gol. Diferentemente do primeiro jogo, o Brasilense não permitiu que um novo 2×2 acontecesse. Souza cobrou falta no canto direito do goleiro Pedro e deixou seu clube mais perto do título.

O Ceilândia sentiu o baque, mas não desistiu. Partiu para o ataque na tentativa desesperadora de diminuir o prejuízo e buscar o empate que levaria a disputa para os pênaltis. Mas, naquela altura, faltavam fôlego e tempo. Ainda assim, o segundo gol veio novamente através do artilheiro Romarinho, 3×2. As esperanças da torcida alvinegra foram renovadas. Alguns tímidos gritos de eu acredito foram ouvidos do lado alvinegro. Nos acréscimos, a bola sobrou nos pés de Romarinho, mas o atacante não dominou bem e a zaga amarela afastou qualquer risco de empate. Sávio Sampaio ergueu os dois braços e fez o apito trilar pela última vez. Brasiliense campeão!

O campeonato foi decidido de forma positivo, em que pese a baixa presença de torcedores nas finais. Foram nove gols em dois jogos. Não houve grandes incidentes, a não ser a desnecessária invasão de campo da torcida do Brasiliense após o apito final. Mas tudo em clima de festa. Sem vandalismo. Todavia, foi uma invasão desnecessária e que, portanto, merece repulsas e punições aos envolvidos. Nesses casos, a justiça acha mais fácil aplicar punições aos clubes.

Assim terminou a 42ª edição do Candangão. Um campeonato que superou todas as dificuldades e foi muito bem organizado. A tabela foi rigorosamente cumprida. Os jogos aconteceram rigorosamente nos horários previstos. Somente em dois jogos os torcedores tiveram aceso privado, mas por decisão dos clubes mandantes que optaram por jogar com portões fechados “para cortar gastos”, visto que a expectativa de público era bastante pessimista para ambas as partidas.

Parabéns aos dirigentes que demonstraram neste Candangão que mudanças são necessárias. Pensar primeiramente na recuperação da credibilidade do nosso futebol é o único caminho que o levará a lugares de maior destaque. Assim como acontece dentro de campo, onde o coletivo vence o individual, fora das quatro linhas as cosias precisam ser pensadas e executadas primeiro em prol do todo. Quando o coletivo é bom, o individual aparece automaticamente. Nenhum clube será tão grande tentando sê-lo sozinho.

Ano que vem tem mais Candangão. Até lá!

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