EXCLUSIVO! ERIVALDO ALVES RENUNCIA AO CARGO DE PRESIDENTE DA FFDF

O blog teve acesso, com exclusividade, à carta de renúncia de Erivaldo Alves ao cargo de presidente da Federação de Futebol do Distrito Federal. O documento foi protocolado nesta sexta-feira (6), na secretaria da FDDF.

                                                                      Foto: Reprodução

Confira no link abaixo a íntegra da carta de renúncia de Erivaldo Alves.

ÍNTEGRA DA RENÚNCIA DE ERIVALDO ALVES

ENTENDA O CASO
Uma assembleia da qual participaram 15 dos 25 clubes profissionais filiados  à Federação de Futebol do Distrito Federal, realizada no último dia 22/09, destituiu Erivaldo Alves da presidência da entidade que rege o futebol local. 

O afastamento foi em decorrência de Erivaldo Alves não ter incluído R$ 300 mil na prestação de contas do exercício referente ao ano 2016. O valor foi advindo de empréstimo feito pela CBF à FFDF. Parte desse valor, pelo que consta, teria sido repassada ao Ceilândia como forma de ajuda ao clube que à época disputava acesso à Série C do Campeonato Brasileiro. Este tipo de auxílio,inclusive, está amparado pelo Estatuto da FFDF.

Sobre a não inclusão do valor no balanço financeiro da FFDF, Erivaldo Alves em mais de uma oportunidade reconheceu que houve um erro do departamento financeiro, mas, segundo ele, a correção seria feita na prestação de contas deste ano. Ele, inclusive, chegou a convocar uma Assembleia para retificar o balanço financeiro, mas não obteve apoio necessário. As explicações e justificativas do dirigente não convenceram a maioria dos representantes dos clubes, razão pela qual a assembleia realizada no último dia 22 deliberou no sentido de destituir o presidente do cargo.

Erivaldo Alves, então, recorreu à justiça, alegando que a assembleia não teria seguido o rito estatutário do processo que o destituiu. Na quinta-feira (28/09), a justiça acatou os argumentos apresentados pela defesa e devolveu o cargo a Erivaldo Alves, por meio de decisão liminar (VEJA AQUI), mas sem impedir que uma nova assembleia fosse realizada, desde que os clubes seguissem as normas previstas no estatuto. 

Já na segunda-feira (2/10), data em que Erivaldo retornaria ao exercício do cargo, 15 clubes voltaram a se reunir em assembleia geral e, dessa vez, deliberaram no sentido de afastar (e não de destituir) Erivaldo Alves do cargo até que o imbróglio fosse resolvido em definitivo.

Com o afastamento de Erivaldo Alves, o primeiro vice-presidente, Daniel Vasconcelos, assumiu o comando da entidade no qual permanecerá até 2020, quando terminará o mandato da atual gestão.

Os 15 clubes que compareceram à assembleia e votaram foram: Aruc, Botafogo-DF, Brasiliense, Capital, Ceilândia, Ceilandense, CFZ, Gama, Guará, Paranoá, Planaltina-GO, Taguatinga, Samambaia e Sobradinho. O Real foi o único dentre os presentes que não quis se posicionar (optou pela abstenção).

Formosa, Paracatu, Luziânia, Santa Maria, Bolamense, Planaltina, Brazlândia, Legião, Cruzeiro e Brasília não compareceram à Assembleia.

MEMÓRIA
Erivaldo Alves assumiu a presidência da Federação em 19 de agosto de 2015, depois que o então titular Jozafá Dantas foi cassado por uma assembleia convocada por 15 clubes, sob a acusação de ter cometido diversas irregularidades no exercício do cargo. Na ocasião, Erivaldo Alves era o primeiro vice-presidente, ou seja, o substituto imediato na ausência do titular.  

Assim que assumiu a presidência da FFDF, Erivaldo Alves tomou uma série de decisões importantes no sentido de resgatar a identidade institucional da entidade. Além disso, conquistou uma unidade de apoio entre os clubes filiados para aprovar o novo estatuto da Federação. Sob a gestão de Erivaldo Alves foram realizados bons campeonatos, inclusive com inédita premiação nas duas divisões do Candangão de 2016, bem como no campeonato feminino e divisões de base.

A boa administração e a forma até então transparente de comandar a entidade renderam ao então mandatário do futebol de Brasília quase uma unanimidade de apoio entre os dirigentes pela continuidade dele no comando da FFDF. Tanto é verdade que 22 das 24 agremiações filiadas à entidade o apoiaram na eleição realizada em 1º de outubro de 2016, para o mandato que iria até 2020. Apenas Gama e Capital optaram por não integrar ao grupo.

Porém, o clima de paz e amor entre Erivaldo Alves e alguns dirigentes foi sendo transformado em atrito. Nos últimos meses, um festival de acusações tomou conta dos bastidores da FFDF. Neymar Frota, presidente do Samambaia, e Ademilton Pavão, mandatário do Capital, assumiram a linha de frente e lideram um grupo de oposição a Erivaldo Alves. A adesão ao movimento cresceu o suficiente para alcançar o quórum necessário para que uma assembleia geral fosse convocada e, assim, afastasse o presidente do cargo.

Com a renúncia de Erivaldo Alves, espera-se que o futebol de Brasília volte a ser o tema de maior preocupação dos dirigentes. A segunda parte do arbitral do Candangão 2018, que inicialmente aconteceria nesta sexta-feira (6), foi adiada para dia 20 deste mês. Além de definir as normas do próximo campeonato, os dirigentes precisam trabalhar no sentido de resgatar a desgastada identidade institucional da Federação, a fim de buscar apoio junto ao empresariado local para custear as despesas das próximas competições, bem como atrair patrocinadores interessados em investir nos próprios clubes.

A tarefa não será fácil. Nem para Erivaldo Alves, que deixa a entidade, mas certamente seguirá respondendo pelas acusações que lhe foram imputadas, muito menos para Daniel Vasconcelos, que assume uma entidade sem credibilidade e afundada em um lamaçal de problemas. 

OPINIÃO DO TITULAR DO BLOG
Evidente que a saída de Erivaldo Alves não resolve todos os problemas que afetam o futebol de Brasília. Erivaldo Alves errou gravemente ao deixar de fazer constar na prestação de contas da FFDF um valor tão alto. Como também é inaceitável que uma pessoa que lida com recursos de uma instituição faça repasses a terceiros sem recolher se quer um recibo. Ainda que o recibo seja manuscrito em um guardanapo. O fato de ter errado, entretanto, não significa dizer que ele tenha agido de má fé. Até porque não me vejo capaz de julgar o caráter de quem quer que seja. Todavia, até hoje, não encontrei razão para duvidar da honestidade do Erivaldo Alves. Se ele agiu de má fé, que as investigações que estão em curso se encarreguem de trazer essas respostas. Se essas respostas comprovarem que ele errou, que as medidas punitivas cabíveis sejam aplicadas nos termos da legislação em vigor.

Da mesma forma, errou a assembleia geral ao agir da forma que agiu no processo de destituição. Aliás, a maneira como se procedeu a assembleia me fez relembrar dos tempos de ditadura. Quem cobra legalidade tem o dever e a obrigação de evitar atos ilegais. Ao contrário disso, a assembleia desconsiderou o estatuto da FFDF e o Estado de Democrático de Direito ao antecipar uma condenação antes de oferecer ao acusado todos os direitos ao contraditório e a ampla defesa. Atropelar a Carta Magna da instituição foi o pior exemplo de como não se deve portar um movimento que se declara defensor da coisa certa.

Tão grave quanto desconsiderar garantias constitucionais, a assembleia geral demonstrou incoerência ao aceitar como aliadas algumas pessoas acusadas e/ou condenadas pela justiça por improbidade administrativa quando estas estiveram no exercício do mesmo cargo de presidente de Federação. É como uma pessoa querer limpar a casa com água suja. Basta uma rápida consulta aos arquivos do Tribunal de Justiça para se conhecer o tamanho da incoerência a qual faço referência.

A sujeira vai muito além do que querem mostrar nesse processo. A pior parte do esgoto, outrora, foi desviada para debaixo do tapete e pouco ou nada fizeram contra aqueles que, segundo a justiça, cometeram ilicitude. Se for para limpar de verdade, que essa limpeza seja feita somente por quem é de fato limpo. O futebol de Brasília agradece se tivermos mais coerência, mais transparência e menos hipocrisia.

Com todas essas questões à parte, o importante agora é a comunidade esportiva do DF oferecer apoio ao presidente Daniel Vasconcelos. As informações que tenho dele são as melhores possíveis. A meu ver, ele é um dos dirigentes mais corretos do nosso futebol. Entretanto, ser apenas honesto não basta. Que ele possa se cercar de outros dirigentes e pessoas igualmente compromissados com o bem do futebol de Brasília. E que bom que bons dirigentes  ainda existem por aqui. 

Vamos pensar no que mais importa. O BEM DO FUTEBOL DE BRASÍLIA.

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