Mais um presidente da FFDF é destituído

Erivaldo Alves comandaria a FFDF até 2020.

Erivaldo Alves, presidente eleito em 2016 para comandar a Federação de Futebol do Distrito Federal até 2020, foi destituído do cargo pela assembleia geral, realizada na manhã desta sexta-feira (22), convocada por alguns clubes filiados à entidade. O primeiro vice, Daniel Vasconcelos, assume o posto para cumprir o mandato.

Participaram do ato 15 dos 25 clubes pertencentes ao quadro de sócios da FFDF com direito a voto. Apenas um dos clubes presentes não acompanhou o voto dos outros 14 que decidiram favorável ao afastamento do presidente.

Erivaldo Alves é acusado de não ter prestado conta de R$ 300 mil, valor referente a um empréstimo feito pela CBF à FFDF em 2016. Uma parcela desse valor teria sido repassada ao Ceilândia Esporte Clube, que na ocasião lutava pelo acesso à Série C do Campeonato Brasileiro. O estatuto da FFDF prevê que a entidade pode ajudar seus filiados nesses casos. Pelo que consta, no entanto, o Ceilândia não teria fornecido o recibo do valor à FFDF.

Segundo Erivaldo Alves, houve uma falha do Departamento Financeiro quando da elaboração dos balancetes, mas, segundo ele, os valores seriam justificados na prestação de contas deste ano. Depois que o caso veio à tona, foi convocada uma assembleia com a finalidade de retificar a prestação de contas do exercício 2016, incluindo os R$300 mil, mas os clubes não aprovaram a proposta de alteração e optaram pela convocação de outra assembleia para destituir o dirigente. Os clubes entendem que esses valores (empréstimo feito junto a CBF e repasses ao Ceilândia) deveriam constar da prestação de contas de 2016, razão pela qual o cartola foi retirado do cargo.

Aconselhado pelos seus advogados, Erivaldo Alves não foi à assembleia realizada na manhã deste sexta-feira, exatamente por considerar o ato ilegal e, portanto, sem legitimidade. Além de afirmar ser inocente, Erivaldo defende que o correto seria os clubes pedirem o afastamento dele para que uma auditoria fosse realizada nas finanças da entidade.

Importante ressaltar que o edital da assembleia foi publicado nessa quinta-feira (21), ou seja, 24 horas antes da assembleia ser realizada. No texto publicado no Diário Oficial do DF, somente os clubes afiliados à FFDF foram convocados. Ou seja, o acusado não foi convidado formalmente para apresentar sua defesa.

Ao blog, Erivaldo Alves informou que recorreu à justiça com um pedido de liminar, cujo objetivo é tornar sem efeito a assembleia que o destituiu do cargo de presidente da FFDF. Ele ainda acrescentou estar disposto a provocar todas as instâncias cabíveis a fim de comprovar sua inocência.  

HISTÓRICO NEGATIVO
A destituição de Erivaldo Alves não é nenhuma novidade quando o assunto é a Federação de Futebol do DF. Aliás, o ingresso do cartola ao cargo majoritário da FFDF ocorreu em decorrência da destituição do então titular, Jozafá Dantas, em 2015. Naquela oportunidade, Erivaldo Alves era o primeiro vice. Pelo estatuto, ele assumiu o cargo até 2016, quando lançou candidatura e foi eleito por aclamação.

Antes, porém, a Federação passou por outros momentos de turbulência. Sem ir muito longe, Fábio Simão também foi afastado da presidência da entidade, juntamente com o vice Paulo Araújo. Ambos foram processados pelo Ministério Público, acusados de improbidade administrativa. De acordo com o processo 2007.01.1.033940-4, a FFDF recebeu por meio de convênios firmados com o GDF a importância de  R$ 3.220.000,00. Esse valor teria sido rateado, erroneamente, entre três clubes: Brasiliense (R$ 2.520,000,00), Gama (250,000,00) e CFZ (450,000,00).

O afastamento dos referidos dirigentes levou a justiça a decretar intervenção judicial na FFDF e nomear o advogado Miguel Alfredo Júnior, o qual ocupou o cargo até a eleição e posse de Jozafá Dantas.

Ainda antes desse episódio, a dupla Fábio Simão e o então secretário de esportes do DF, Wagner Marques, foi processada por irregularidades na gestão de uma quantia de R$ 762.151,32 referente a convênio firmado entre a Secretaria de Esportes e a Federação (processo: 2011.01.1.198268-8 – 4ª Vara da Fazenda de Brasília).

Outro dirigente processado no exercício do mandato (ou em razão dele) de presidente da Federação é Weber Magalhães, atual presidente do Gama. Os valores do processo 28275/2006 – Tribunal de Contas do DF – totalizam R$ 1,2 milhão, que teriam sido direcionados irregularmente. Essa quantia corrigida já supera a bagatela de 8 milhões de reais.

Ainda vale relembrar que Jozafá Dantas deixou o comando da Federação depois de ser acusado de cometer diversas irregularidades. Até hoje ninguém sabe a que fim levou a milionária renda do jogo entre Santos e Flamengo, disputado em 2013 no Mané Garrincha. Outra pergunta que segue sem resposta é sobre o destino das receitas dos bares do Mané Garrincha, por ocasião de jogos envolvendo grandes equipes do futebol brasileiro durante a gestão de Jozafá Dantas.

Na ocasião, a FFDF firmou um contrato com a empresa Parlamento Restaurante, que passaria a ser a gestora da parte comercial (bares e restaurantes) do estádio durante os jogos. De acordo com o que consta do contrato registrado no cartório do edifício Assis Chateaubriand (W3 Sul), metade das arrecadações deveria ser repassada à FFDF, só que nada disso foi demonstrado nas prestações de contas daquela gestão.

Por conta de todas essas e outras irregularidades, a Federação de Futebol do DF foi condenada pela justiça a NUNCA MAIS receber recursos advindos do poder público.

Isso para citar apenas alguns exemplos da sujeira que existe nos bastidores do futebol de Brasília. E não é de hoje… 

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